Regiões do baixo e médio rio Madeira contarão com plano de manejo para pesca
Em até seis meses, os municípios de Humaitá, Manicoré, Novo Aripuanã e Borba contarão com um plano de manejo para a pesca nas regiões do baixo e médio rio Madeira, no Amazonas, segundo o doutor em Biologia de Água Doce e Pesca Interior pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (Ifam), Renato Soares. A previsão é que o plano esteja disponível para a sociedade a partir de dezembro deste ano.
Segundo ele, o plano será um dos resultados do projeto de pesquisa ‘A atividade pesqueira nas regiões do Médio e Baixo Rio Madeira: análise econômica e eficiência técnica’.
“É um plano fruto das conversas que tenho com os pescadores. É muito mais fácil fazer a norma quando há um acordo, quando há um diálogo. Não é um plano de manejo com 100 páginas, ele será simples, de fácil entendimento aos pescadores e regionalizado. Ele conterá, entre outros, o período adequado para a pesca, a proibição das espécies específicas para a calha do rio Madeira e será oferecido às agências que regulamentam a pesca na região”, disse Soares.
O estudo é realizado com aporte do governo do Estado, via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio do Programa de Infraestrutura para Jovens Pesquisadores – Programa Primeiros Projetos (PPP).
Soares apresentou o resultado parcial no Seminário de Avaliação do PPP, realizado pela Fapeam, em parceria com o CNPq, no último dia 07.
ECONOMICIDADE
De acordo com o pesquisador, o objetivo do estudo é avaliar a eficiência técnica da pesca nas regiões do baixo e médio rio Madeira para garantir a economicidade aos pescadores.
“Eles (pescadores) poderão tornar mais eficiente sua maneira de pescar. Nós queremos que ele diminua o uso de insumos (gelo, combustível, etc), através do uso eficiente e sustentável dos recursos disponíveis, melhorando, por exemplo, sua caixa de gelo e construindo barcos menores porque, atualmente, os barcos são muito grandes e mal dimensionados para a pesca”, disse Soares.
O pesquisador informou que nas regiões do baixo e médio rio Madeira há, pelo menos, 53 barcos de pesca, sendo 25 em Humaitá, 16 em Manicoré, sete em Borba e cinco em Novo Aripuanã. “Verificamos que os nossos pescadores são extremamente idosos, com uma média de 29 anos de atividade pesqueira e utilizam barcos de, em média, 12 metros de comprimento”, disse.
Soares informou que, atualmente, está compilando as informações já coletadas e fazendo a caracterização das embarcações para analisar os dados e gerar os resultados para produção do plano de manejo para a região.
SOBRE O PROGRAMA
Desenvolvido em parceria com o CNPq, o PPP consiste em apoiar a aquisição, instalação, modernização, ampliação ou recuperação da infraestrutura de pesquisa científica e tecnológica nas instituições públicas e particulares, sem fins lucrativos, de ensino superior e/ou de pesquisa sediadas ou com unidades permanentes no Amazonas visando dar suporte à fixação de jovens pesquisadores e nucleação de novos grupos em qualquer área do conhecimento.
Fonte: Agência Fapeam, por Camila Carvalho